Potência Econômica: Porque não??

Estava eu pesquisando um pouco sobre a famosa crise de 29 quando entrei nesse blog: saibahistória.blogspot.com

Quero evidenciar uma resposta muito interessante do Prof. Adinalzir quando foi perguntado sobre o porquê o Brasil hoje não é uma grande potência econômica já que foi um dos principais países que se sobressaíram na recuperação da depressão de 1929.

Confira abaixo a resposta:

 

Prof. Adinalzir (SaibaHistoria) disse…

Desculpe o tamanho do texto, mas acredito que ele responde a sua pergunta:

Brasil, terra onde a natureza foi pródiga. Aqui fomos supridos de todos os recursos em abundância e poupados das grandes catástrofes naturais. Quis o destino que o território não se fragmentasse e por isso temos dimensão continental.

Nosso povo é naturalmente global pois vem se miscigenando há 500 anos. Índios, africanos, europeus e asiáticos formaram aqui um caldeirão cultural que resultou nesse povo simpático, amistoso e de cultura tão adversa.

Porque não somos uma potência?

Quando aqui aportaram as primeiras naus vindas de Portugal, encontraram um continente rico, inexplorado e habitado apenas por índios.

Processo semelhante se deu em outros pontos da costa do continente Sul-Americano e Norte-Americano onde também foram encontrados índios ou povos mais primitivos do que aqueles vindos da Europa. Os conquistadores europeus, bem mais adiantados, dominavam a navegação ultramarina, já haviam descoberto a pólvora e eram mestres na arte da guerra.

Em pouco tempo o homem branco subjulgou os nativos transformando todo continente de norte a sul em colônias.

Por razões diversas, essas colônias tiveram processos evolutivos diferentes e quando conquistaram a independência tinham situações políticas e econômicas diferenciadas.

Os Estados Unidos da América logo despontaram como potência emergente e em meados do século XX, após a II Guerra desbancaram a Grã Bretanha que fora a potência global do século XIX mas sofrera o desgaste de duas guerras seguidas.

O Brasil, apesar do potencial semelhante em termos de território e recursos naturais, por razões diversas, dentre elas fraqueza política e incapacidade administrativa, perdeu a corrida da industrialização e entrou no século XX como um país independente, porém de economia eminentemente agrícola e dependente de outros países.

A revolução industrial, alavanca do desenvolvimento da economia, da verdadeira independência e instrumento de projeção no cenário internacional se deu tardiamente no Brasil, completando seu primeiro ciclo com implantação de indústria básica pouco depois da II Guerra.

Em meados da década de 70 do século XX o Brasil competia em condição de igualdade com a China e a Índia, que como o Brasil, também tiveram seu desenvolvimento industrial retardado.

Hoje a China é uma potência econômica, militar e nuclear que ameaça a economia mundial e a Índia está no mesmo caminho.

Mais uma vez perdemos a corrida.

Surge a inevitável pergunta: onde erramos?

A resposta não é simples e não foi apenas uma razão.

Mas os fatores preponderantes foram a fraqueza política no cenário internacional e a incapacidade administrativa interna.

Enquanto colônia, nossos recursos foram drenados para e Europa. Após a independência, os recursos continuaram sendo drenados para o exterior, para cofres privados, ou desperdiçados.

Acordos internacionais mal negociados e desvantajosos, a histórica corrupção e uma gigantesca incapacidade gerencial vêm atravancando o desenvolvimento do Brasil há mais de 100 anos.

Por absurdo que pareça, em mais de 100 anos de independência, o Brasil não consegui criar uma casta de brasileiros capazes de desenvolver e implantar um projeto de Estado visando um processo contínuo de evolução e desenvolvimento de longo prazo. Sequer conseguimos ter uma maioria de políticos e governantes verdadeiramente comprometidos com o desenvolvimento da Nação Brasileira e mal conseguimos que promessas pré-eleitorais sejam cumpridas.

O país vive atualmente uma das priores crises morais, éticas e gerenciais da história. A cada novo escândalo, descobrimos que políticos e pessoas influentes estão envolvidos e que existem elos e ligações com outros escândalos que por sua vez estão ligados a outros e assim sucessivamente. Conclui-se que o país está literalmente entregue à quadrilhas.

O congresso perdeu – se é que alguma vez teve – a capacidade de autodepuração, pois é dominado por uma maioria de parlamentares corruptos ou defensores de interesses alienígenas. Não fosse assim, os escândalos não se sucederiam com os principais envolvidos sendo absolvidos por seus pares contra todas as provas e evidências. E todos impunemente continuam reinando, se acobertando e ajudando mutuamente.

Mas a origem do problema está muito além dos bastidores do congresso.

A política perdeu seu sentido mais nobre e passou a ser sinônimo de politicagem barata, sempre associada a fraudes e negociatas escusas.

Estranhamente, o brasileiro lutou pela democracia e depois que a conquistou despreza seu fundamento básico que é a escolha de seu representante para defender legítimos interesses. Para a maioria dos brasileiros, o processo eleitoral é encarado com ojeriza, como se fosse uma obrigação pior que declarar imposto de renda ou uma oportunidade de obter um favor, arrancado em troca de uma promessa de voto.

Além disso, a grande massa de eleitores brasileiros não têm capacidade de avaliar pessoas, propostas e muito menos fazer escolhas acertadas sem se deixar influenciar pelas aparências e por imagens de beneméritos virtuais, habilmente fabricados pela máquina de propaganda eleitoral.

Por todos esses motivos, a política se tornou pólo atrativo de pessoas moralmente despreparadas e tecnicamente incapazes. Quando vêm às eleições, nos vemos diante da difícil opção de escolher entre o péssimo, o ruim ou o pior.

O resultado é esse que vivemos nos dias atuais. Desgoverno, inexistência de planejamento de longo prazo, escândalos após escândalos, impunidade, inexistência de verdadeiras políticas públicas e pior, o país não tem uma política de Estado que norteie o conjunto de ações.

As políticas públicas fundamentais e deveres constitucionais do Estado para com o cidadão têm sido ignorados como se a constituição fosse apenas um objeto a ser usado em discursos.

Educação, saúde, segurança pública, habitação, entre outros, são problemas nacionais que os governos têm tratado de forma demagógica, resultando na prática em direitos e serviços negados à população. Atualmente só usufruem desses serviços, com qualidade aceitável, àqueles que às próprias expensas podem comprá-los.

Esse ciclo precisa ser quebrado. Se nada for feito, a mediocridade criará raízes e quando acordarmos, o Brasil será novamente colônia. Não nos moldes de outrora, mas sim nos moldes modernos, com corporações e Organizações Não Governamentais dominando e explorando o território, nossos recursos e fazendo as leis.

O Futuro Começa Agora pretende ser mais uma voz no coro que clama por mudanças, Desejamos que o Brasil deixado para as próximas gerações seja um país do qual se orgulhem, pelo qual desejam trabalhar e onde vivam por opção.

Um grande abraço,

(Fonte e créditos para: http://saibahistoria.blogspot.com/2007/03/crise-de-1929-e-grande-depresso.html)

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